Arquivo da tag: português

A bunda já não abunda – Joca Souza Leão

Bunda é palavra sonora, vogal, insinuante, simpática, risonha, franca, redonda, provocante, faceira e feminina. Quando eu era menino, ninguém chamava bunda de bumbum. Essa invenção de mau gosto é coisa recente. A bunda abundava plena. As avós mais puritanas a pronunciavam sem vergonha alguma. No diminutivo, quando se referindo às dos netos: injeção na bundinha, caiu de bundinha no chão. E bunda-canástica era brincadeira que todo menino pequeno brincava.

Nos Jogos Intercolegiais, tinha uma menina que jogava vôlei pelo Vera Cruz (ou Damas?) que a gente chamava de Raimunda: “feia de cara, boa de bunda.” A bunda vive (ou “se diverte”) por conta própria, como nos disse o poeta. E não depende da cara da dona.
Feliz o povo que tem bunda. Os portugueses mesmo não têm. Nem bunda palavra nem bunda propriamente dita. Talvez por isso sejam tão melancólicos. Não têm dança de requebro. Usam uma única palavra (aquela de uma sílaba, palavra seca, áspera, aguda, dura, essa sim, feia) para se referir à parte e ao todo. Para que se avalie a aberração, seria como se chamássemos de amídala tanto o rosto quanto a própria amídala. Continuar lendo

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Abrindo o jogo

A teimosia é uma das características do ser humano. Ela é responsável por ter feito o Homo neanderthalensis evoluir e superar as necessidades e dificuldades que o cercavam e o separavam de seu xará evolutivo Homo sapiens sapiens.

Até me arrisco a dizer que: a teimosia agregada ao desafio é capaz de impulsionar o homem a coisas maravilhosas (e outras nem tanto, eu reconheço), como, por exemplo, a criação do abridor de latas, que foi inventado, aproximadamente, seis meses depois do primeiro cinto de castidade. Continuar lendo

15 Comentários

Arquivado em Crônicas do GUS