E haja saco!

saco do porco espinhoNão sei, mas a cada dia que passa, com a enxurrada de charlatães e um-sete-uns que têm aparecido vendendo ilusões com essas pirâmides, só tendo um saco gigantesco e inacreditavelmente elástico para aguentar.

Eu ouvi, e vocês também já ouviram, alguém comentando por aí que “já fomos mais inteligentes”, e isso nunca foi tão verdadeiro como agora.

As pessoas, numa sanha inexplicável de enricar sem trabalhar, se iludem com promessas de lucros deslumbrantes e entregam o fruto de seu suor para picaretas de boa lábia, que os convencem ser aquele o cavalo selado de suas vidas. Na boa, é igualzinho ao bom e velho jogo do “essa perde, essa ganha”, que leva embora o dinheiro de muita gente achando que vai ter a mesma sorte do “tapia¹”.

Pessoal, sejam realistas, se esses investimentos fossem mesmo tão rentáveis, vocês acham que as empresas de produtos revolucionários procurariam vocês para investir de trocado em trocado, ou partiriam logo para um grupo de empresários no naipe de um Eike Batista, e que dariam, numa passada de caneta, todo o aporte indispensável para fazer o negócio funcionar?

Hoje mesmo eu perdi uma meia-hora ao telefone, com uma pessoa que considero até de um bom nível intelectual, tentando me convencer a entrar em mais uma dessas armadilhas.

“-Não, isso não é pirâmide!”, não mesmo? E porque é preciso pagar para aderir e o verdadeiro lucro só vem se outras pessoas entrarem depois de você comprando novas cotas? Ponzi explica!

“-Moral, mas você investe 3 mil e tem um retorno em 11 parcelas de 720…”. Mais uma pausa para pensar… Bom, nos meus conhecimentos rudimentares de matemática, isso dá um retorno de R$7.920,00, abatendo o investimento, fica um lucro líquido de R$4.920,00, ou seja, quase 170% em menos de um ano, UAU! Tá, mas caindo na real, será que um verdadeiro investidor, considerando que o produto fosse mesmo viável, não aportaria seu capital, e mais, por uma margem de lucro bem menor? Se fosse algo legítimo e possível, será que não apareceriam ricaços dispostos a investir alguns milhões por uma taxa, digamos, de 50% ao ano? Tornando o negócio ainda mais vantajoso para o seu criador, com uma menor divisão nos lucros?

Outra coisa, como é que uma empresa da qual ninguém, eu repito, NENHUM DE VOCÊS já ouviu falar tem uma “sólida reputação construída por diversos anos de mercado”?

Minha avó já dizia: o pior cego é o que não quer ver. Ou, utilizando a linguagem dos filmes de faroeste que passavam na Sessão da Tarde, isso é a “febre do ouro”… de tolo, eu completaria.

Vou ser bem sincero, ou esse povo está muito errado ou eu não tenho mesmo a vocação para ser rico, pois nunca vou acreditar numa conversa fiada como essas.

Ah, mas tem gente ganhando milhões, tem gente andando de carrão, tem gente isso e aquilo. Lógico que tem, há os “tapias¹” e há os que lucraram com o SEU dinheiro, enquanto você, ou sendo alguém de muita sorte e que conseguiu reaver o “investimento”, os que entraram depois de você na pirâmide, perderam dinheiro e ficaram a ver navios.

Gente, se esse tal desse Marketing Multi Nível (pirâmide com nome chique) fosse algo que trouxesse retorno para as empresas, as grandes multinacionais deixariam de investir em propaganda e mídia e passariam a buscar “pessoas como você, ousadas e dispostas a abrir as portas para um novo conceito de ganhar dinheiro através da internet”.

Comigo não, violão!

Se bem que eu até entro numa presepada dessas, mas só quando empresas de renome e com produto largamente estabelecido e aceito no mercado como a Coca-Cola, por exemplo, pararem de investir em publicidade e em merchandising e passarem a investir em MMN, até lá, eu vou continuar ouvindo a ladainha incessante e repetitiva de uma penca de idiotas que acham que o dinheiro cai do céu ou se multiplica por mágica.

Como eu disse logo no começo, a verdade já foi dita: “nós já fomos mais inteligentes!”

 

Augusto Vilaça

23/04/13

  

¹Tapia: Derivado do verbo tapear – termo usado para designar um tipo de trabalhador que era contratado por donos de roletas e jogos azar, nos dias de festas de padroeiras ou em feiras livres, e que ficavam simulando apostas e quase sempre ganhando, como forma de atrair clientes para o jogo.

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