E se eu tiver vontade de chorar?

Desde pequenos nós ouvimos que homem não chora, mas tem momentos em que mesmo o mais bravo de todos, sucumbe à emoção e verte lágrimas.

Mas eu não quero chorar, pelo menos não de tristeza, pois sei que por mais difícil que seja perder alguém que amamos, isso faz parte do curso natural da nossa existência terrena, e todos partiremos um dia.

E assim a vida levou nossa querida Dalva, que nos deixou e subiu aos céus, onde é seu lugar de direito, como toda estrela. E o que falar dela? São tantas lembranças boas, que nem sei por onde começar.

Cada um de nós tem guardada na memória a Dalva que amou por tudo que ela foi e continuará sendo em nossos corações. Guerreira, mulher à frente do seu tempo, nunca se intimidou diante das asperezas da vida e criou filhos, noras, genros, netos, bisnetos e agregados em geral com tudo de melhor que se pode esperar de uma mãe exemplar.

Como poderíamos nos esquecer dos seus conselhos, das comidas que ela fazia, de suas “agonias” e afobações, das mesas de sueca, da elegância como gostava de se vestir, do seu cheirinho de “Thaty”, da sua paixão pelo Sport (afinal, ninguém é perfeito…). Como eu disse, são tantas coisas que passaríamos dias e dias listando e não chegaríamos ao fim.

Mas a sua missão conosco chegou ao fim. Filhos e netos criados e bem encaminhados na vida, inúmeras realizações alcançadas, diversas amizades cultivadas ao longo do caminho, era então chegada a hora de a guerreira descansar.

O problema é que nós humanos somos muito egoístas, e mesmo sabendo que é chegada a hora, não é fácil abrir as mãos e deixar quem amamos partir. É duro, difícil e dá vontade mesmo de chorar, mas eu não vou, prometo! Afinal, amar é saber ceder, é saber que para sermos felizes, as pessoas a quem queremos bem devem ser felizes, e por mais complicado que seja para aceitar, a Dalva com a qual convivemos nos últimos dias não estava feliz. Seu corpo, cansado de tantas batalhas, queria despir a pesada armadura e se entregar ao repouso merecido.

Então Deus ouviu o seu pedido.

E ela se foi, deixando na Terra um rastro de boas ações que farão sua lembrança ecoar pela eternidade, igualzinho ao brilho da estrela que lhe emprestou o nome.

Vai com Deus minha avó querida, eu não vou chorar, pois sei que estais em um lugar melhor, velando por nós e preparando tudo para o nosso reencontro quando o momento chegar.

Nós te amamos ontem, hoje e te amaremos sempre.

Recife, 02/03/12

Em homenagem à minha avó Maria Dalva Bacelar Vilaça, que faleceu no dia 26/02/12.

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