Arquivo do mês: junho 2010

Um mundaréu de água

Não sou muito bom pra escrever textos sérios, mas o assunto de hoje não tem nada de engraçado: as enchentes do nordeste.

Mesmo com um destaque menor do que o problema representa, quem lê jornais e revistas, vê TV ou, pelo menos, conversa com alguém, já deve ter ouvido falar do que aconteceu na zona da mata entre os estados de Pernambuco e Alagoas, devido às chuvas que assolaram por aquelas bandas nos últimos dias.

Eu estive lá e, literalmente, enfiei o pé na lama. A situação é crítica, quase caótica. Lama, sujeira, destroços por todos os lados. É quase impossível passar por uma rua sem ter que desviar de sofás, colchões, armários, eletrodomésticos e restos de alimentos, tudo destruído, sujo, inservível, e com um mal cheiro, que começa a ficar insuportável. Continuar lendo

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Pra frente Brasil!

O assunto da vez é a Copa do Mundo, não se fala mais de nada. Mesmo aqui em Pernambuco, um dos estados que, quando não sofre pela falta de chuvas, sofre com o excesso inesperado delas, como tem sido o caso nos últimos dias, a preocupação é uma só: “onde é que vamos assistir ao jogo da seleção?”.

Terca-feira passada, pra se ter ideia, o céu estava se desmanchando em água e ainda assim o povo lotava as arenas onde havia telões transmitindo o jogo ao vivo. Nem o temporal que caía foi capaz de convencer aquele mundarel de gente de que a partida havia terminado e de que era hora de voltar pra casa, antes que os carros, motos e ônibus que os levaram até ali precisassem ser trocados por canoas, barcos e jet-skis na hora de voltar.

E no trabalho então? Qual é o chefe que, em sã consciência, ao menos cogita segurar seus funcionários na empresa, nos horários de jogos da seleção, trabalhando (ou mesmo fingindo)? Lá no meu trabalho já está definido que, quando os jogos forem à tarde (15h30), o expediente será encerrado às 14h00. Quem quiser que ache correto, mas eu acho isso um absurdo! Uma perfeita demonstração de falta de compromisso… Pôxa! Todo mundo sabe que em dia de jogo da seleção o trânsito fica infernal, e saindo às duas da tarde, não dá para comprar a cerveja e ainda botar pra gelar a tempo para o espetáculo. Continuar lendo

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Menino com brinquedo novo

Tô que só menino: alegre com o brinquedo novo. Agora, fácil não foi… enfrentei um debate doméstico mais longo e acalorado do que aquelas discussões de emendas à Constituição no Congresso Federal, mas eu estava decidido, perseverei e defendi meu argumento até ouvir um sonoro: “- Você já é bem grandinho, faça o que achar melhor, eu não vou me meter!”. Mesmo com aquelas palavras ecoando em meu ouvido ainda hoje, fui lá e comprei a moto.

 Eu juro que pensava que o pior já tinha passado, ledo engano. Cheguei a acreditar que o grande trabalho seria convencer lá em casa de que a moto seria a melhor e mais econômica opção para chegar ao trabalho no horário, mas isso foi apenas o primeiro passo, ainda faltava ser aprovado no cadastro do financiamento que, além dos usuais: “RG, CPF, comprovante de renda e residência”, pedia uma lista dos meus contatos no orkut, amigos bloqueados no MSN, atestado de vacina em dia, os cinquenta últimos tíquetes de estacionamento do shopping e mais dois quilos de alimentos não-perecíveis.

Mesmo apresentando tudo isso e contando com o nome limpo na praça, a primeira financeira reprovou o crédito alegando que eu não tinha telefone fixo instalado em meu nome, dá pra acreditar? Gente, eu quero a moto para passear e me deslocar, principalmente, de casa para o trabalho, não pra montar uma firma de entrega. Continuar lendo

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Alguém segure esse avião

É como eu costumo dizer: se as coisas fossem fáceis em minha vida, não teria a menor graça, por outro lado, eu também não teria tanto assunto para escrever. Pois bem, dessa vez caso foi o casamento do meu primo, aquele que só toma Guaraná Antarctica.

Se o fato de ser meu primo casando não fosse suficiente, a doravante esposa também é minha prima (e dele, diga-se de passagem), além disso convidaram a minha filha para ser dama de honra, e a mim e a minha esposa para sermos padrinhos. Como vocês podem ver, não havia a menor chance de eu arrumar uma desculpa que colasse para não ir, já que o casamento seria em São Luiz do Maranhão, distante 1573 km do Recife.

A viagem era um gasto totalmente imprevisto, mas seria uma chance ímpar de revermos os parentes que moram longe, de nos empanturrarmos de comer caranguejo, e de matarmos as saudades do Guaraná Jesus, que só tem por aquelas bandas. Compramos as passagens, reservamos hotel e decretamos moratória em algumas contas pendentes para podermos ter algum dinheiro e cobrir os gastos por lá. Continuar lendo

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