Arquivo do mês: maio 2010

Maldita virose

Ai, ai, ai! Dói tudo: a cabeça, o corpo e, pra completar, ainda tem aquela disenteria básica. É a típica situação em que tudo é ruim e nada presta, não dá vontade de fazer coisa alguma e a cabeça lateja mais do que o couro de um tambor do Olodum. O diagnóstico não poderia ser mais simples: Virose. Nem me lembrava de que essa desgraçada existia, mas foi só pisar de volta no Brasil e uma delas já me fez de vítima.

Pois é, desde ontem à noite que estou assim, e sei que nem adianta ir a hospitais e emergências, já que vou ouvir o mesmo blá-blá-blá de sempre: “é virose. Tá assolando por aí… repouse, tome paracetamol se tiver dor ou febre e beba bastante líquido”.

Nos últimos tempos, a gente só pega virose. Foi-se a época em que visitávamos um médico e saíamos de lá com uma parotidide, um amebíase, uma enxaqueca, uma artrite reumatóide, ou uma infecção por morbilivírus para tratar. Agora, não! Toda e qualquer doencinha é uma “virose”… Não sei como é que um doutor em medicina perde anos de sua vida, matando-se de estudar, decorando nomes estrambólicos e bulas de remédios, para olhar a cara de doente do seu paciente por poucos segundos e fazer uma declaração solene e lacônica como esta: “é só uma virose!”. Francamente… Continuar lendo

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O bom filho à casa torna

É aquela velha história: “o bom filho à casa torna” e, depois de 371 dias distante de casa, finalmente, voltei.

Muita gente pode dizer que um ano (e seis dias) passa rápido, mas pergunta lá em casa pra ver… A coisa pareceu uma eternidade. Não é fácil se aventurar sozinho em um país distante, recém-saído de um período de conflitos, com uma infraestrutura pra lá de precária e tão longe que, como já contei anteriormente, devido às 12 horas de diferença no fuso horário, fazia com que eu estivesse dormindo enquanto vocês almoçavam, e vice-versa.

Mas, como disse o Júlio César, que não é o goleiro da seleção do Dunga: “vim, vi e venci”, e, se não venci, ao menos empatei. O importante é que tenho a consciência de que dei o meu melhor e escrevi o meu nome na história de um país em reconstrução.

A experiência em si foi fantástica. Tive a oportunidade de conhecer pessoas de várias partes do mundo, suas línguas, diferentes culturas e costumes, religiões, crenças, vestuário, comidas e muitas outras coisas que, quando muito, eu via apenas no cinema. Continuar lendo

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Eu tô voltando pra casa…

Pois é, um ano passou como um raio. Nem parece que já estou há quase 365 dias longe de casa. A aventura chegou ao fim, como disse Júlio César (que não é o goleiro): “vim, vi e venci”, se não, ao menos empatei. O fato é que fiz o meu melhor e espero ter contribuído para o crescimento desta jovem nação que é o Timor Leste.

Bom, agora é hora de empacotar tudo e voltar pra casa, onde também sou útil e esperado, sendo assim, e dada a proximidade da viagem (saio daqui no dia 8 de maio e chego ao Recife na madrugada do dia 10, não avisem aos paparazzi, por favor!), tenho que correr com as coisas e não vou ter tempo de escrever um texto digno de vocês, leitores. Portanto, e para não quebrar a rotina de um post novo toda segunda-feira, estou publicando uma crônica de um conterrâneo pernambucano cujos textos eu gosto bastante, espero que vocês também.

A todos, um grande abraço e até a próxima segunda, já falando diretamente do Brasil.

Do Timor (ainda), com carinho,

Gus.

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A bunda já não abunda – Joca Souza Leão

Bunda é palavra sonora, vogal, insinuante, simpática, risonha, franca, redonda, provocante, faceira e feminina. Quando eu era menino, ninguém chamava bunda de bumbum. Essa invenção de mau gosto é coisa recente. A bunda abundava plena. As avós mais puritanas a pronunciavam sem vergonha alguma. No diminutivo, quando se referindo às dos netos: injeção na bundinha, caiu de bundinha no chão. E bunda-canástica era brincadeira que todo menino pequeno brincava.

Nos Jogos Intercolegiais, tinha uma menina que jogava vôlei pelo Vera Cruz (ou Damas?) que a gente chamava de Raimunda: “feia de cara, boa de bunda.” A bunda vive (ou “se diverte”) por conta própria, como nos disse o poeta. E não depende da cara da dona.
Feliz o povo que tem bunda. Os portugueses mesmo não têm. Nem bunda palavra nem bunda propriamente dita. Talvez por isso sejam tão melancólicos. Não têm dança de requebro. Usam uma única palavra (aquela de uma sílaba, palavra seca, áspera, aguda, dura, essa sim, feia) para se referir à parte e ao todo. Para que se avalie a aberração, seria como se chamássemos de amídala tanto o rosto quanto a própria amídala. Continuar lendo

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