Vida de artista

Semana passada eu estava numa festa aqui no Timor quando fui cumprimentado por um total desconhecido. Como minha mãe me ensinou, eu retribuí o aceno e sorri amarela, mas simpaticamente, pois não fazia a menor ideia de quem se tratava. Para minha surpresa, logo em seguida ao aceno veio a frase: “parabéns pelo Blog! Tenho acompanhado há um ano, está muito bom!”. Sorri novamente, sendo que, dessa vez, me sentindo feliz por ter sido reconhecido (sou muito mais bonito ao vivo do que na foto do site) e por ter recebido um elogio, aparentemente, sincero, afinal, diferente dos meus familiares e amigos que são coagidos a fazer comentários no site, caso contrário eu fico sem falar com eles, o leitor era alguém que não tinha a mínima necessidade de puxar o meu saco.

Esse simples gesto me fez parar para analisar a cena toda e, finalmente, depois de quase um ano, fui reconhecido pelo que escrevo, senti-me uma celebridade. Sei que ainda posso estar longe de me comparar a um Luís Fernando Veríssimo ou de ser um formador de opinião como Oprah Winfrey ou a Ana Maria Braga, mas já era um começo. O estrelato subia à minha cabeça…

De uma hora para outra, comecei a pensar que era o mais novo famoso-desconhecido da praça, uma espécie de ex-BBB do momento. Já sonhava em ser convidado para entrevistas, vernissages, coquetéis, noites de autógrafos, participações em programas televisivos, convite da playboy… e, antes que me venham crucificar, atire a primeira pedra aquele de vocês que não tiraria a roupa em fotos meramente “artísticas” e totalmente retocadas no Photoshop, por alguns míseros milhões de reais…

Com aquela única (até o momento) manifestação, foi possível perceber o quanto é agradável ser reconhecido, no bom sentido, em público, e este é o motivo pelo qual os “Reality Shows” têm feito tanto sucesso, já que são os atalhos mais curtos para a fama.

Além de ter fortuna e notoriedade, ser famoso é viver rodeado de paparazzi, e sei que posso estar enganado, mas tinha um cara lá na festa tirando muitas fotos, tive a nítida impressão de que o flash pipocou em minha direção várias vezes. Pelo sim ou pelo não, vou me cuidar mais, deixar de lado aquela calça jeans confortável, mas com um furo num lugar indiscreto, e me policiarei para não cutucar o dedão do pé no meio da rua. É bem verdade que uma foto polêmica minha, hoje, não deve valer muita coisa, mas espera uns 15 a 20 anos pra ver…

É! Imagem é tudo! E embora eu não conte momentaneamente com uma assessoria de imprensa, fiz uma pesquisa básica sobre como os famosos fazem para se manter na mídia, e percebi que, quando o brilho parece estar se apagando, basta sair à rua e fazer uma meia dúzia de caras-e-bocas, criar uma ceninha polêmica qualquer (geralmente um quebra-pau por causa de ciúmes), deixar vazar a notícia de que está coberto de dívidas ou ser fotografado depois de um porre daqueles, e os holofotes se acendem para você rapidamente. Daí a lançar um novo disco, publicar um best seller ou ser convidado para protagonizar mais um sucesso de bilheteria é um pulo.

O estranho nisso tudo é que essas são coisas tão corriqueiras entre os mortais comuns que eu não consigo entender, por exemplo, porque minha dívida com o cheque especial só interessa a mim, ao Banco e ao SPC, enquanto as do Nicholas Cage são estampadas em tablóides campeões de vendas ao redor do mundo. E enquanto ele continua sendo escalado para fazer suas aparições no cinema, eu nunca fui contatado por nenhuma editora, nem mesmo pra perguntar se eu me interesso em comprar uma enciclopédia qualquer.

O mundo da fama é muito injusto! Deixa só eu me estabelecer que vou reivindicar tudo o que tenho direito: camarim exclusivo com frutas, Champagne, milhares de toalhas brancas, uma bomboniere cheia de jujubas de uva, água mineral importada e todas aquelas coisinhas básicas que não podem faltar para agradar uma celebridade do meu quilate.

Por ora, e com um único fã manifesto, eu prometo me contentar com o que tiver, não preciso de muito luxo, como quase de tudo e aceito trocar a Champagne por Sidra Cereser; só exijo uma única coisa: quero aquele papel higiênico bem macio e perfumado no banheiro!

– Ei! Onde você tá indo? Volta aqui que eu tava brincando! Pode cancelar a Sidra e deixe que o papel higiênico eu trago de casa… traz cá o contrato e me diz onde é que eu assino.

Do Timor, com carinho,

Gus

Díli, 16/04/10

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12 Comentários

Arquivado em Crônicas do GUS

12 Respostas para “Vida de artista

  1. ju vilaça

    Já estou me sentindo uma Victoria Beckham ou Katie Holmes da vida. Prepare seu bolso, pois lembre-se que eu e os meninos também vamos ser assediados pelos paparazzi.

    Assinado,

    Eu. Esposa psicótica, ciúmenta, sua fã número 1 e agora mundialmente famosa.

    • Augusto Vilaça

      Já pensou? Vida de glamour… nunca mais comprar uma roupa na C&A, Riachuelo ou Lojas Maysa, parceladas em 8x fixas…

      Os meninos que já são estrelas por vida, nem vão se importar com os flashes.

      Mas, por ora, é melhor manter o crediário disponível, ehehehehe

      Daqui, com amor.

      P.S.: quanto a ser fã, empatamos, também sou seu fã número 1.

      Te amo!

  2. Francis

    Playboy??? acho que eles preferem a mulher melancia… G Magazine? Ju podia não gostar, mas o batalhão ia achar o máximo Heim! Heim! Digo logo que tem limite pra seguir um amigo, aí eu tô fora.

    Mas pôxa velho, achar que só tem um fã dos textos do Blog é denegrir os outros que com sinceridade dão seus comentários. Deixo meu protesto e pego a senha pro autógrafo.

    Abraço.

    • Augusto Vilaça

      Como eu disse, foi apenas um fã manifesto, os outros só decidiram sair da moita depois do texto.

      Quanto à revista, fala sério… você é um expert em Photoshop e sabe que dali saem milagres, ou você não se lembra das Playboys de Hortência e Roberta Close?

      Mas, sinceramente, eu prefiro ser capa da revista Globo Rural, ehehehe.

      Valeu o comentário e já entrou na lista, agora posso bater no peito e dizer que tenho 3 fãs!

      Do Timor, com carinho.

  3. Alex B Furtado

    Sei não em Augusto do jeito que ta indo o seu blog logo logo vc ta no Jô Soares melhor que sair em revistas.

    • Augusto Vilaça

      Pois é, cara… não pensava que chegaria tão longe, pensei que escreveria só pra mim mesmo, mas é bom ter um retorno positivo das pessoas.

      Quanto à entrevista no Jô, seria a realização de dois sonhos: o primeiro em ser reconhecido por algo que estou fazendo e o segundo por conhecer o Jô, que acho um entrevistador fenomenal.

      (em segredo: entra no site do programa e sugere que eu vá lá ser entrevistado, ehehehe).

      Obrigado pelo comentário, apareça sempre.

      Do Timor, com carinho.

  4. Oi!
    Agora estou dando uma passadinha rápida, mas voltarei com mais tempo para explorar bastante.
    Inté!

    • Augusto Vilaça

      Obrigado pela visita, sinto-me honrado. Pode voltar e explorar à vontade.

      Também dei uma passada em seu blog, tá muito legal, adorei o projeto “quinta na sala”.

      Apareça mais vezes!

      Do Timor, com carinho.

  5. Pois é Vilaça, passei por situação semelhante quando ocorreu o terremoto no haiti, pois em virtude do blog fui “encontrado” por vários veículos de comunicação. Dei entrevista em jornais e rádios. Algumas pessoas me enviaram mensagens tentanto saber notícias de seus parentes no Haiti. Inclusive recebi um e-mail solicitanto uma entrevista na rádio França Internacional, logicamente que o interlocutor falava português…hehehehe
    Mas é isso meu amigo, é sempre bom receber um reconhecimento e saber que de alguma forma, o que nós escrevemos é bem recebido pelos leitores.

    Grande abraço

    Cap Marco

    • Augusto Vilaça

      Pô Marco, é mesmo! Lembro da época e imagino como você deve ter sido assediado. Bom, no meu caso não chegou a tanto… Digamos que você é um ex-BBB atual e eu sou um dos participantes do No Limite (duvido que você se lembre de algum!).

      Mas saiba que você tem feito um excelente trabalho na divulgação de notícias.

      Obrigado pela visita e pelo comentário,

      Do Timor, com carinho.

  6. Eita…. Desculpe o meu estado de virgindade mental sobre a revista playboy, mas a mesma tem fotos de homem nu também? Pensei que fosse só mulheres.

    Sei não….

    Já ia esquecendo, não gostei do que disse dos cometários dos amigos, quer dizer que não somos sinceros? É cada uma.

    Beijos!

    • Augusto Vilaça

      É que depois de tantos milagres que eu já vi sendo feitos pelo Photoshop, achei que dava pra arriscar… mas, de todo jeito, se o convite for para uma daquelas entrevistas de três páginas, eu vou preferir.

      E nunca desmereci os amigos! Afinal vocês são a razão de existir desse blog! Apenas precisava criar um dramazinho pra história ficar mais interessante, aquela coisa de “licença poética”.

      Valeu a visita e o comentário,

      Do Timor, com carinho.

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