Arquivo do mês: abril 2010

Me engana que eu gosto

Assim também é demais! Já não sei no quê acreditar, acabei de ler a notícia de que a Danone vai mudar a propaganda de dois de seus iogurtes mais vendidos: Activia e Actimel, pois segundo a Autoridade Européia de Saúde Alimentar, eles não são tão milagrosos assim quando o assunto é garantir uma viagem regular, tranquila e aliviadora ao banheiro.

Olha, embora eu não seja exatamente o tipo de pessoa que tem problemas com as visitas cotidianas ao vaso sanitário, confesso que havia sido convencido pela credibilidade do comercial, com todas aquelas explicações científicas e gráficos demonstrativos, e, se por acaso eu precisasse de uma forcinha na hora de “fazer força”, com certeza toparia o desafio dos 14 Activias, mesmo porque eu não teria nada a perder, como a moça diz na propaganda: se eu não conseguir err… bom… vocês sabem… recebo meu dinheiro de volta.

A publicidade, em especial a televisiva, nos expõe a um universo de coisas imprescindíveis e maravilhosas que, se até ontem nem sequer dávamos conta da sua existência, hoje temos a plena certeza de que não vivemos mais sem elas. Continuar lendo

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Vida de artista

Semana passada eu estava numa festa aqui no Timor quando fui cumprimentado por um total desconhecido. Como minha mãe me ensinou, eu retribuí o aceno e sorri amarela, mas simpaticamente, pois não fazia a menor ideia de quem se tratava. Para minha surpresa, logo em seguida ao aceno veio a frase: “parabéns pelo Blog! Tenho acompanhado há um ano, está muito bom!”. Sorri novamente, sendo que, dessa vez, me sentindo feliz por ter sido reconhecido (sou muito mais bonito ao vivo do que na foto do site) e por ter recebido um elogio, aparentemente, sincero, afinal, diferente dos meus familiares e amigos que são coagidos a fazer comentários no site, caso contrário eu fico sem falar com eles, o leitor era alguém que não tinha a mínima necessidade de puxar o meu saco.

Esse simples gesto me fez parar para analisar a cena toda e, finalmente, depois de quase um ano, fui reconhecido pelo que escrevo, senti-me uma celebridade. Sei que ainda posso estar longe de me comparar a um Luís Fernando Veríssimo ou de ser um formador de opinião como Oprah Winfrey ou a Ana Maria Braga, mas já era um começo. O estrelato subia à minha cabeça…

De uma hora para outra, comecei a pensar que era o mais novo famoso-desconhecido da praça, uma espécie de ex-BBB do momento. Já sonhava em ser convidado para entrevistas, vernissages, coquetéis, noites de autógrafos, participações em programas televisivos, convite da playboy… e, antes que me venham crucificar, atire a primeira pedra aquele de vocês que não tiraria a roupa em fotos meramente “artísticas” e totalmente retocadas no Photoshop, por alguns míseros milhões de reais… Continuar lendo

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Receita para criar um Super-Herói

Uma coisa é comum às ideias malucas, elas surgem em qualquer lugar, a qualquer hora, e a qualquer momento. Aqui do outro lado do planeta a coisa não ia ser diferente… Eu estava reunido com uns amigos quando, sem mais nem menos, ou melhor, com mais (bebida) e menos (coisas importantes para pensar), um deles teve a “brilhante” ideia de me transformar em um Super-Herói.

Depois de muitas risadas, vi que eles, não sei se por estarem envolvidos pelo espírito etílico ou por se sentirem órfãos de um paladino da justiça imbuído em livrar o mundo das iniquidades, pareciam levar a coisa a sério e, como não havia outra alternativa, decidi entrar no clima.

Minha avó já dizia que três coisas não devemos rejeitar: um conselho sábio (o problema é saber quando e sábio e quando não é), um prato de comida, e o convite para ser padrinho de batismo de alguém, o que na minha terra é visto como maldição, pois quem é rejeitado no batismo, certamente vira lobisomem. Contudo, como estou muito longe da minha avó e considerando a diferença de fuso horário, fiquei com receio de a acordar no meio da madrugada só para tirar a dúvida, e acrescentei à lista, por conta própria, mais um item: “não devemos recusar um apelo para nos tornarmos um Super-Herói”. Assunto resolvido, eu só tinha uma exigência a fazer: nunca, em hipótese alguma, eu usaria a cueca por cima das calças! Continuar lendo

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A última Coca-Cola do deserto

Imaginem-se vagando em pleno deserto, com sede, cansados e sendo duramente castigados por um sol causticante. A vista não consegue enxergar muita coisa além das ondas de calor e da brisa arenosa que teima em ficar entrando em seus olhos, tornando o esforço em mantê-los abertos num verdadeiro sacrifício. De repente, não me perguntem como, apenas acompanhem o raciocínio, aparece à sua frente uma garrafa de Coca-Cola aparentando estar “estupidamente” gelada, também não me perguntem como isso é possível, continuem focados na ideia…

Bom, tirando os naturebas de plantão, os apreciadores de Coca Zero e um primo meu, que só toma Guaraná Antarctica, todos vocês (e eu me incluo no grupo) iriam achar que aquilo era a coisa mais valiosa e importante que poderia existir. Pois é, tem gente que se acha exatamente assim: “a última Coca-Cola gelada do deserto”, o tipo de pessoa que acredita ser melhor e mais capaz do que todo o Mundo, e que não mede esforços para tentar nos convencer disso.

Eu conheço um monte deles e, deixando de lado uma ameaça de prisão quando eu, já cansado de ouvir lorotas, cheguei para um que era meu superior e disse: “- Chefe, dê-me licença, mas mentira eu só gosto quando eu conto…”, na maioria dos casos eles nos rendem não só boas risadas como também assunto para várias semanas de comentários, desde que eles não estejam presente, lógico. Continuar lendo

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