E ele não conseguiu, de novo…

Ah, não! Assim já é demais! Nosso Macunaíma – o anti-herói brasileiro, dos dias atuais, também conhecido como Rubinho Barrichello, conseguiu, ou melhor, não conseguiu de novo. Se houvesse um lugar no Guinness Book para as pessoas com mais tentativas falhas de ser campeão mundial de automobilismo, com certeza seria o nome dele que estaria lá. Qual foi a desculpa dessa vez? O erro na tática da equipe? Eu pergunto: a equipe não é a mesma? Por que só erra com ele?

DickQuando ele corria ao lado do Michael Schumacher, diziam que o Schumi, numa versão repaginada do Dick Vigarista, aquele da corrida maluca, tinha, no seu console de instrumentos, alguns botões que destruíam o carro do Rubinho. Era só apertar e BUM! Pode até ser uma ideia mirabolante, mas isso explicaria muitas “quebras” do brasileiro que foram importantes para os triunfos do alemão.

Lembro-me dos tempos áureos em que, todo domingo de Fórmula 1, nos reuníamos na casa de um tio meu e, pontualmente na hora da corrida, largávamos tudo que se estivéssemos fazendo e íamos para frente da TV acompanhar os bólidos multicoloridos dando voltas e mais voltas em circuitos espalhados pelo mundo, até aquele esperado momento em que todos começávamos a pular e a nos abraçar ouvindo o “Tema da Vitória”, que anunciava mais um triunfo do saudoso Airton Senna da Silva.

Da minha infância e adolescência para cá, muita coisa mudou: as escuderias não trazem mais anúncios de cigarro como antes (ainda me recordo, perfeitamente, do uniforme vermelho da McLaren com a palavra: “Marlboro” escrita em letras garrafais), e penso que os carros de então eram mais humanos e menos robóticos, como parecem ser atualmente, dada a quantidade de computadores e controladores que possuem. Do jeito que está indo, não demora muito e todos vão ser equipados com piloto automático: o condutor precisará, apenas, fazer a “decolagem” e, ao final, subir ao pódio, pois eu acho que para o carro subir vai ser um pouco mais complicado. Mesmo com essas grandes mudanças, há uma coisa que continua a mesma: é o chato do Galvão Bueno narrando e comentando, com exclusividade, todas as provas.

Quem, dentre vocês, nunca ouviu falar de pilotos como: Emerson Fitipaldi, Nelson Piquet (o pai) e Airton Senna? Personagens que fizeram história nas pistas. Se bem que seria leviano de minha parte se eu dissesse que o Rubens Barrichello não escreveu o seu capítulo, ou melhor, os seus capítulos nesse grande livro, por todos os anos que foi, foi, foi… mas acabou “fondo”. Parece muito com o destino do rufião, que, para quem não sabe do que se trata, é aquele cavalo colocado ao lado da égua para saber se ela está no cio e “prepará-la”, quando ele está pensando que vai se dar bem, tiram-no de perto e trazem o garanhão, que é quem faz o serviço.

Já ouvi pessoas comentarem que o Barrichello é um piloto melhor do que o Senna foi. Sei que corro o risco de criar uma discussão infindável, pois ambos têm fiéis seguidores, agora dizer que o Rubinho era melhor “piloto” é completamente descabido. O que ele é e, ao que me parece, sempre vai ser, é um ótimo escudeiro. Uma espécie de Sancho Pança das pistas. Faltam-lhe a gana e determinação que fazem um verdadeiro campeão. Hoje ele critica o “Nelsinho” Piquet por ter forçado um acidente, mas tão anti-esportivo ele foi quando abriu passagem para seu companheiro de equipe chegar à frente e se beneficiar com o resultado. Não que a manobra de Nelsinho Piquet tenha sido menos vil e desleal, entretanto foi mais discreta e se demorou um bom tempo para ser comprovada, enquanto a de Barrichello aconteceu ao vivo e em cores, embasbacando e envergonhando a nação de brasileiros fãs de automobilismo, em rede mundial.

Como todo bom tupiniquim, eu sou brasileiro e não desisto nunca! Ainda tinha esperanças e queria acreditar que este ano ia dar certo, mas ele conseguiu estragar tudo mais uma vez. Ainda bem que eu não tinha aqui na casa nenhum canal que passasse a corrida ao vivo, senão poderia ter cogitado passar a madrugada (por causa da diferença de fuso horário) acordado, apenas para ter uma grande raiva ao final.

Mas vamos seguir em frente! E, aproveitando que vivemos em um mundo globalizado e cada vez menor, e que a internet é um veículo de comunicação internacional e sem fronteiras, vou procurar o e-mail do Rubens Barrichello e desafiá-lo a um torneio de autorama, que é o mais próximo que eu já cheguei da Fórmula 1. Se eu der sorte, ele topa. Nunca fui bom nisso, admito, mas, só assim, eu vou ter de quem ganhar.

Ai que saudades do: “Tã-tã-tãã, tã-tã-tãã, tããã, tã-tã-rã-tã-rã-tã…”

Do Timor, com carinho,

Gus

Díli, 19/10/09

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6 Comentários

Arquivado em Crônicas do GUS

6 Respostas para “E ele não conseguiu, de novo…

  1. Dalva Regina

    Eu como você e os outros 200 milhões de brasileiros ficamos frustrados, pois as manhãs ensolaradas de domingo eram portadoras de energias tão positivas dada a alegria que nos proporcionava. O Rubens Barrichelo é apenas o “Rubinho” do diminutivo, sem força, e sem a força da personslidade de nosso líder maior Airton Senna. Só nos resta o consolo de que a esperança é a última que morre. Suportar derrotas e nunca desistir. Quem sabe um dia ele acerta!

    • Augusto Vilaça

      Mas, como disse no texto, sou brasileiro e não desisto nunca… Agora que o Barrichello podia dar uma ajudazinha, isso podia.

      Obrigado pelo comentário.

      Do Timor, com carinho.

  2. Dalva Regina

    Quem tem autonomia não espera que os outros mandem passar na frente! Não é mesmo?

    Com carinho,

    Dalva Regina

    • Augusto Vilaça

      Cada um tem seu jeito de ser e aceita o que achar que deve. Só sei que a maioria dos pilotos não aceitaria receber ordens como as que receberam (e cumpriram…) o Rubens Barrichello e o Nelsinho Piquet.

      Mas, como dizem, ninguém é perfeito… O chato é que, pra nós, o maior defeito deles é de serem brasileiros e se passarem por isso…

      Obrigado pela visita.

      Do Timor, com carinho.

  3. Rapaz, vc está tão longe e acompanha as coisas do Brasil tão de perto.
    Concordo com você em muitas coisas sobre o Rubinho. Mas ele tem os seus méritos e nem todo mundo pode ser formidável. Se tiver oportunidade dá uma olhada no que escrevi sobre ele em “Ídolos” no http://cariocadorio.wordpress.com.
    Saudações desde o Rio de Janeiro.

    • Augusto Vilaça

      Meu coração e minha cabeça estão 100% ligados no Brasil, sempre…

      Quanto ao Barrichello, eu sei que ele não é formidável, mas teve várias chances de ser, no mínimo, suficiente e as desperdiçou. O pior de tudo é que, ao que nos parece (e vai ser muito difícil alguém me convencer do contrário) por opção e falta de espírito de campeão dele.

      Mas todos têm a sua importância. Afinal, o que seria o amarelo se todos gostasse do azul? E o que seria do Schumacker se o companheiro de equipe dele fosse o Senna?

      São perguntas que permanecerão sem respostas.

      Obrigado pela visita e pelo comentário.

      Do Timor, com carinho.

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