Que venha Wimbledon!

Aros-Olimpicos“Yes, we créu!”, segundo eu soube, essa frase, que é uma paródia ao: “Yes, we can!” (“Sim, nós podemos!”) – lema da campanha de Obama à presidência dos Estados Unidos, foi a mais postada no twitter logo após o anúncio de que o Rio de Janeiro havia sido escolhido, pelo Comitê Olímpico Internacional, como a sede para as Olimpíadas de 2016, com direito a choro do nosso presidente e dos defensores de Madri/Espanha (que também concorria) que não se cansaram de reclamar, seria um bom momento para o Rei Juan Carlos dizer a célebre frase: “¿Por qué no te callas?”

Depois do Panamericano de 2007, os dois grandes eventos próximos só provam que o Brasil está se consolidando, cada vez mais, como um país desportivo, aliás, já temos mesmo a fama de “levarmos tudo na esportiva”, sejam os juros do cartão de crédito e do cheque especial, o aumento da energia, dos impostos ou mesmo do combustível, que teima em subir, mesmo com a revelação do tal do pré-sal, que, pelo pouco que li, é a maior fonte produtora de petróleo do mundo.

Estamos revivendo a euforia dos anos 50, quando fomos a sede da Copa do Mundo, pena que, naquela altura, e em pleno Maracanã, tenhamos perdido o que seria o nosso primeiro título mundial no futebol. Tudo bem que ganhamos seis outros, depois daquilo, mas o gostinho de ganhar em casa nós não tivemos. Espero que a nossa sorte mude dessa vez.

O clima, hoje, é de ansiedade. Em menos de cinco anos teremos a Copa de 2014 e, na sequência, as Olimpíadas de 2016. Não sou estrategista de futuro e tampouco gosto de ser pessimista, mas acho que estamos dando dois passos muito largos, e de uma só vez.

O principal discurso dos defensores da ideia é o fato de que os certames nos darão uma grande visibilidade mundial, gerarão empregos (a maioria, temporários) e nos projetarão no cenário turístico.

Entretanto, tirando as novas (e volúveis) vagas de trabalho, o Brasil já vem sendo reconhecido entre as grandes nações mundiais, em especial pela estabilidade econômica, que, me perdoem os situacionistas, não começou em 1º de Janeiro de 2003, mas faz parte de um processo que vem sendo sedimentado há mais tempo.

No campo turístico, estando, temporariamente, fora do Brasil como é o meu caso, asseguro-lhes que somos um dos destinos mais procurados. E se é que as competições aumentariam, realmente, o volume de visitantes pós-jogos, talvez nos defrontássemos com uma procura maior que a estrutura suficiente para manutenção e preservação, especialmente, ambiental ou, em caso contrário, poderíamos ter um interesse menor pelos nossos atrativos do que o previsto e, assim, o investimento iria por água a baixo.

É aquele velho dilema da festa de aniversário: temos a chance de investir e de fazer uma festa grande, onde muita gente vai vir, o que significa grande diversão e um bom “apurado” em presentes (como diz o meu pai). O chato é acordar no dia seguinte e ter que limpar tudo aquilo.

Sei não! Na minha opinião, deveríamos “começar pelo começo”. Pôr primeiro um pé na água para ver se está muito fria. Até sugiro como um bom teste: a “Corrida de Jericos” de Panelas, interior de Pernambuco. Nos dias de evento, a pacata cidade fica apinhada de gente. Meu avô, quando era vivo, não perdia uma. Tenho um tio que mora em São Paulo, mas está lá em todas as edições, tem cadeira cativa. Perigo é se o COI descobre isso… levava direto para Zurique e acabava com a hegemonia pernambucana: “- A partir de hoje, corrida de jericos só de quatro em quatro anos e com o sorteio das sedes…”podio

Aproveitando, já que estamos no embalo, vamos brigar para entrar de vez no painel atlético-desportivo-olímpico global. Acho que seria muito bom sediarmos os campeonatos mundiais de Pelota Basca, Críquete, Futebol Americano (afinal também somos da América, não é mesmo?), Baseball, Badmington e, por que não, Tênis? É isso aí! Bola pra frente! Já estou imaginando a notícia na primeira página do jornal: “O Brasil está em festa! Fomos escolhidos pela ATP para sediar o torneio de Wimbledon 2017, graças ao lobby do Gustavo Kuerten”. Valeu, manezinho!

Do Timor, com carinho,

Gus,

Díli, 03/10/09

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5 Comentários

Arquivado em Crônicas do GUS

5 Respostas para “Que venha Wimbledon!

  1. Frank

    Caramba, queria ir logo me desculpando por quer eu não consegui te imaginar falando tudo isso que eu tava lendo, foi logo vindo na minha cabeça a imagem de Arnaldo Jabor, num tom exacerbado, até meio irônico como ele bem é.
    Parabéns por esse belo texto, e mais ainda por colocá-lo logo no ar, digo mais, manda o link pra Globo, quem sabe vira texto de Arnaldinho!!!

    Abraço.

    • Dalva Regina Alves Teixeira

      Concordo plenamente em relação aos situacionistas. Cada governo que entra atropela-se dizendo que faz isto e mais e mais que aquilo que foi feito no governo anterior. Seria democraticamente coerente e de consenso concordar que a política não é só política, e que os grandes homens são plenamente conscientes de que um determinado projeto trabalhado é a sequência de outro previamente iniciado. Lembro disso quando foi veiculado que o Brasil construiu mais usinas hidroelétricas na última década, sendo que só no sul temos mais de 40 a mais de 40 anos. Quanto ao rei Juan Carlos acredito que jamais interferiria na questão do Brasil sediar a copa e a olimpíada, devido a sua esposa rainha Silvia ser brasileira. Os passos são realmente largos, Agora o Brasil ocupa o septuagésimo segundo lugar em IDH,é difícil imaginar a ascenção brasileira atrávés do esporte e turismo, mesmo com a idéia de existência do pré sal . Estaríamos com os pés no chão se nos preocupássemos mais com a biodiversidade do nosso país, desenvolvimento sustentável, educação e dispersão do homem para o campo para o real desenvolvimento agrícola sem as falsas verdades do MST, onde baderneiro invade e cria problemas para as nossas divisas. Os nossos problemas são inumeráveis. Lembrar tantas situações problemáticas é algo memorável. O texto está nota dez. Adorei ! Que venha Wimbeldon! Já que é um esporte ainda elitizado. Parabeńs pela idéia brilhante de rememorar tantas siuações que pelos nossos próprios deslises caem na inconsciência. Do Maranhão com carinho Dalva Regina

      • Augusto Vilaça

        Acho que o nosso maior problema é que, segundo um estudo que eu acompanhei acerca do genoma brasileiro, foi detectado que, na composição da nossa cadeia de DNA, os genes da responsabilidade, coerência e memória história (em especial a política) são “recessivos”, enquanto que os genes do caráter festeiro e da adaptação a qualquer dificuldade são “dominantes”, igualzinho ao que eu via nas aulas de química.
        Quando falei do Rei Juan Carlos, mencionei que caberia a frase aos chorões espanhóis, em especial pelos comentários que eles fizeram contra o Brasil após terem perdido na escolha.
        Acho mesmo que existem muitos outros problemas a nos preocupar atualmente nesse nosso desenvolvimento “meteórico” que apregoam, e talvez o dinheiro necessário fosse melhor empregado para outros fins mais urgentes.
        Mas vamos ver no que dá. Quem sabe não emprensam 2015?
        Obrigado pela visita,
        Do Timor, com carinho.

    • Augusto Vilaça

      Tenho sempre me inspirado no que está bem na minha cara, e que assunto estaria mais sendo comentado do que as Olimpíadas de 2016? Ah, depois da Copa de 2014, lógico…
      Já existe um movimento querendo que 2015 seja “emprensado”, o único mal nisso é que 2015 não é um ano bissexto, se fosse, teríamos 366 dias de folga ao invés de “apenas” 365.
      Quanto aos elogios, agradeço bastante, mas me falta muito tempo de estrada para chegar ao nível do Jabor. Mas posso garantir que me esforço para fazer o melhor para as pessoas que lêem meus textos.
      Obrigado pela visita.
      Do Timor, com carinho.

    • Estava fazendo algumas pesquisas na web e acbei visitando este site. Gostei, pois a leitura é leve, fácil e de bom conteúdo. Os eventos internacionais da Coap do Mundo e Olimíadas traram para o Rio de Janeiro algumas mudanças significativas no que diz respeito a segurança e infra estruturas. Espero que este legado não fique tolido apenas aos poucos bairros da zona sul.
      Minha pesquisa era sobre esportes e indicarei este site a minha rede social. Aliás, as redes sociais são realmente a febre do mundo. Faço parte da comissão organizadora do evento ELFO da Baixada Fluminense e graças as redes sociais, nos mecanismos de busca do rotor do GOOGLE, em referências as palavras ELFO 5 edição, chegamos ao absurdo de ter mais de 400 milhoes de referências, cuja lista dos 10 primeiros do rank são nossos blogs.

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