Canja-de-galinha não faz mal a ninguém

Amanheci gripado esses dias, bom, para meu conforto, após me “consultar” pela internet, vi que os sintomas são de gripe comum, e não da famigerada H1N1, ou gripe suína.

Ainda que não seja a tal influenza, tão falada nos dias de hoje, a minha constipação há de ser tratada. O problema é que, com as constantes evoluções da medicina, eu nem sei mais como devo proceder. Se fosse nos meus tempos de criança e adolescência, era só tomar aqueles comprimidos efervescentes de vitamina C, alguns comprimidos de AAS (como a gente chamava a “Aspirina”) para a dor-de-cabeça ou febre, um lambedor de mel com limão e estava tudo certo, em dois dias a gripe tinha ido embora (e a gente voltava para a escola…).

Hoje, dizem que a vitamina C já nem combate nem previne os resfriados, o ácido acetil-salicílico deve ser evitado por causa da dengue, sem contar que é muito difícil de se encontrar um mel de abelhas confiável e de qualidade, quando muito, compramos gato por lebre, ou melhor, cana-de-açúcar por abelha. Sendo assim, estou eu aqui, só aguardando que o meu sistema imunológico funcione e me reestabeleça completamente.

Já que eu comecei a falar sobre o assunto, vamos voltar um pouquinho no tempo e nos lembrar das “farmacinhas” que havia em todas as casas, ou vão me dizer que na de vocês não tinha? A nossa era super-completa e alguns itens, muitos dos quais nem são mais vendidos, nunca faltavam, eram eles:

  • Merthiolate – o vermelho que ardia e tínhamos que ficar soprando depois de passar no ferimento;
  • Água Oxigenada – para limpar as feridas, fazia uma espuminha nojenta;
  • Mercuro Cromo – esse não ardia, mas manchava tudo em que caísse;
  • Violeta Valenciana – nem sei para que servia, mas sempre tinha um vidrinho lá;
  • Hidróxido de Alumínio – acho que era para mal-estar;
  • Remédio contra vermes – de seis em seis meses a gente tomava e não adiantava reclamar;
  • Spray para cobrir feridas – não lembro o nome, mas eu adorava esse, fazia uma espécie de capa plastificada em cima do ferimento, para tirar, lembrava a pele descascando;
  • Óleo de Rícino e Óleo de Fígado de Bacalhau – esses eu tive a sorte de nunca ter experimentado, mas, como sei que alguns de vocês já tiveram o desprazer, resolvi listar;
  • Biotônico Fontoura – outro que eu nunca provei, pois sempre tive uma “fome de leão”, mas tinha a maior vontade de tomar, e;
  • QUADRIDERM – uma pomada que servia para tudo, segundo minha mãe, fiz questão de escrever o nome todo em maiúsculas para dar-lhe o devido destaque. Era o único ítem que sempre estava em estoque.

Falando na Quadriderm, uma vez a minha mãe ficou zangada comigo porque me pegou comentando com minha irmã, que também foi tratada várias vezes como milagroso unguento, em tom de brincadeira, dizendo que uma única colherada de Quadriderm: hidratava os lábios, curava sapinho, afta, gengivite, revigorava o esmalte dos dentes, protegia a garganta, desobstruía as vias aéreas, acabava com o pigarro, eliminava o “bichinho do hã-hã”, curava a laringite/faringite, limpava os pulmões, eliminava a azia e má-digestão, acabava com as úlceras estomacais, eliminava os gases, curava a diarréia, lubrificava o intestino, sarava as hemorróidas e, na saída, ainda deixava o bumbum macio como o de um nenê. Ela ouviu tudo e, de cara fechada, disse: “- Mas a pomadinha foi muito útil quando vocês precisaram, espero que nunca mais precisem novamente…”

Não preciso dizer que nos arrependemos na hora e fomos atrás dela para lhe pedir desculpas. Se ela disse que nos curou de tantos males no passado, quem somos nós para discordar?

A lista da farmacinha não para por aí, ainda tínhamos: pomada minâncora, vick vaporube, emplastro sabiá, tintura de iodo, pedra pomes, água rabelo e muitos outros… Hoje, não se deve mais ter remédios guardados em casa, especialmente “ao alcance das crianças”. Tudo só com receita médica e, quando compramos, ou não é o suficiente para o tratamento, ou sobra e temos que jogar fora. As autoridades dizem que é para evitar os males da “auto-medicação”.canja-de-galinha

Eu estou aqui, aguardando a cura através do meu fator de recuperação orgânico (quase igual ao do Wolverine). O pior é que nem capim-santo nem erva-cidreira eu achei para um chazinho, mas vou pedir à senhora que cuida da casa para me fazer uma canja-de-galinha, se não me curar eu sei que mal não faz. Aaaaaatchim! Ops, acho que tá na hora de voltar pra cama.

Do Timor, com carinho,

Gus

Díli, 21/09/09

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2 Comentários

Arquivado em Crônicas do GUS

2 Respostas para “Canja-de-galinha não faz mal a ninguém

  1. Frank

    Faltei o trabalho na agência da terça feira passada até a quinta, inflamação Aguda da Garganta, um monte de remédios pra curar essa inflamação e a gripe que veio junto. Foram 2 dias de febre alta e pra completar, Nicole pegou essa mazela de mim, passei o pior final de semana de toda a minha existência. Fui 3 vezes a pronto socorro com ela queimando de febre. O temporal já passou, ela tá bem melhor agora, ainda com um pouco de gripe, mas controlável, e eu, depois dessa luta com a doença, completamente destruído, quebrado, moído e aqui na agência. Mas vou tomar minha canjinha também. Abração e desejo de recuperação imediata pra você.

    • Augusto Vilaça

      Eu demoro bastante para pegar uma gripe, mas quando pego… Se bem que essa tá até tranquila, só não estou abusando da sorte. A única coisa que incomoda um pouco é o nariz entupido.
      Quanto à Nicole, sei bem o que é isso de ficar pra cima e pra baixo com os filhos no hospital. É uma barra! Mas que bom que vocês estão melhores.
      Obrigado pelo comentário.
      Do Timor, com carinho.

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