Arquivo do mês: agosto 2009

Um trimestre já se foi

Hoje é um dia especial, completamos 3 meses de missão aqui no Timor Leste. Bom, na verdade, se contarmos da data em que partimos do Brasil, o correto seria dia 05 de agosto, mas, segundo os registros oficiais da ONU, iniciamos a missão em 08 de maio de 2009.

Um quarto da jornada se passou. Sei que muitos dizem que, depois que a gente se acostuma, o tempo voa. Pois vou dizer: se voa, é na velocidade de uma tartaruga com asas de galinha. Para mim, os dias duram uma eternidade (infelizmente, com as noites, a coisa é o oposto, sempre acordo com aquela impressão de que poderia dormir um pouco mais…). Tudo bem, 25% já passou, só que ainda faltam 75%. Continuar lendo

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O Baile de Debutantes

Debutante,festa de debutante,festa de 15 anosNão sei o que se passa comigo, mas tenho andado meio nostálgico esses dias, lembrando de cenas do meu passado e que ficaram bem guardadas na memória. Para completar, ainda reencontro pessoas com as quais não tinha contato há uns bons anos, o que só me deixa mais saudoso.

Vou falar hoje sobre uma coisa que estava muito em voga nos anos 90, os Bailes de Debutantes. Naquela época eu era cadete da Academia de Polícia e, mais novo, com mais cabelos e vários quilos a menos, eu era uma figurinha carimbada, não perdia um. Continuar lendo

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Mais uma vez, o mundo vai se acabar

granadaAcabei de ver a notícia, em letras garrafais: “O MUNDO VAI SE ACABAR”, embora isso já possa ser classificado como “lugar comum”, outra vez estava lá estampado, com data (2012), razões e tudo o mais que seria necessário para causar furor nos mais nervosos e, quem sabe, uma grande comoção e mobilização, tal qual quando divulgaram pelo rádio, nos idos de 1938, que os Marcianos estavam entre nós.

Não tenho dúvida que a coisa está indo de mal a pior, e da forma com que o ser humano tem tratado o planeta: poluição, crescimento desordenado, derrubada de florestas, e desenvolvimento de armas de destruição em massa, está tudo degringolando, pouco a pouco, e não precisa ser um grande alquimista para prever que, em algum lugar no futuro, tudo pode mesmo acabar de vez. Mas daí a dizer que vai ser agora, já chega a ser forçar a barra. Continuar lendo

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Festa no apê

Brasileiro gosta mesmo é de festa, onde quer que esteja. Não é porque estamos do outro lado do mundo que iria ser diferente. Pois bem, eu e os amigos com os quais divido a casa em que moro, sempre procuramos uma desculpa para fazer farra. É certo que, até hoje, a coisa tem se limitado a nós quatro e os eventos, a uma mera reunião em volta de alguma comida um pouco mais elaborada, regada a cerveja e refrigerante (que são baratinhos no mercadinho da ONU) e ao som de música, onde passamos algumas horas falando besteira e rindo das caras uns dos outros.

Falamos de tudo e parece-me que, após a terceira latinha de cerveja, infelizmente nem tão gelada quanto gostaríamos (nossa geladeira está mais para armário, já que não gela nada), viramos experts em uma ampla gama de assuntos. Os debates são quentes e a eloqüência dos interlocutores é de fazer inveja. Continuar lendo

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Alô!? Fala que eu te escuto.

Sabe uma coisa que tem me dado uma grande satisfação? Ligar para o povo no Brasil. É muito bom ouvir vozes conhecidas e falar com pessoas que estão do outro lado do mundo e cuja ausência me tem feito tanta falta. De igual modo, creio eu que para quem recebe o telefonema também é bastante prazeroso (embora isso possa ser um tanto ambicioso de minha parte), as reações, espero que não sejam de fingimento, sempre são carregadas de emoção.

Sei que vivemos em tempos de internet, onde é muito fácil e rápido trocar e-mails, mas as frias letras na tela do computador em nada se comparam a poder ouvir alguém do outro lado da linha, dá até para sentir, na entonação da voz, o humor do interlocutor. É possível perceber quando alguém está doente, triste, feliz e, até mesmo, morrendo de sono por eu ter, graças à diferença de fuso horário, tirado o(a) coitado(a) da cama, como já aconteceu algumas vezes. Continuar lendo

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Como tudo começou

Aquele dia foi especialmente difícil para mim: longe de casa (u-u-u, há mais de uma semana…), sofrendo com a diferença de fuso horário (de dia eu ficava com sono e, à noite, parecia uma coruja que tomou um copão de café) e, se isso não fosse suficiente, ainda tinham os problemas do Brasil, contas atrasadas, eu estava esperando receber um adiantamento quando cheguei aqui, mas não saiu, e ainda tinha o dinheiro que eu havia enviado e que estava vagando em algum banco lá pros lados do triângulo das bermudas, já que, nem aparecia em minha conta, nem osloucura gerentes sabiam o paradeiro.

Tudo isso junto virou um turbilhão em minha cabeça, chorei, senti falta de tudo e de todos. O pior foi a sensação de impotência, diante de tanta coisa. Era a receita perfeita para minha cabeça entrar em parafuso. Continuar lendo

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Eles estão entre nós

Eles estão entre nós! E não são poucos. Uns mais e outros menos disfarçados, os aproveitadores, bajuladores e oportunistas estão sempre lá. Basta uma chance e já se mostram prontos a utilizar de artimanhas e estratagemas que fariam Maquiavel se remexer no caixão por não ter pensado nelas quando escrevia “O Príncipe”, para tentar ocupar um desmerecido lugar ao sol, em geral, passando por cima dos outros sem o menor remorso.

Em sua grande maioria, eles não possuem qualidades nem atributos que justifiquem sua permanência naquela vaga, e vivem numa eterna busca por atalhos e escadas, geralmente humanas, que os projetem aos lugares mais altos que juram serem seus por direito.

Existem uns que se dedicam, ao invés de estarem trabalhando e produzindo, a servir como informantes (X-9, dedo-duro, cagueta/cabueta, entregador…). Contam tudo o que se passa, até mesmo o que não aconteceu, ou, talvez, deu-se apenas na imaginação deles, como forma de simularem um inquestionável lealdade, bem como de tirar de seus caminhos aquele colega “espelho no sol”, ou seja, capaz de lhes ofuscar. Continuar lendo

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