Um Dois Três de Oliveira Quatro

42559,250,80,0,0,250,188,0,0,0,0Sei que vocês devem estar estranhando que, embora recentemente eu tenha dito que não me obrigaria a escrever uma crônica por dia, como era minha idéia inicial, cotidianamente estão recebendo em seus e-mails (tenham solicitado ou não, o fato é que, como ninguém pediu, ainda, para sair da lista, o número de “leitores” só faz aumentar). Mas situações “se jogam” na minha frente e, como sei que um dia a inspiração deve, gradativamente, diminuir (é uma tendência natural), não deixo passar as oportunidades e sigo relatando minhas impressões e todas as demais besteiras que me vem à cabeça.

Estávamos eu e um outro personagem (de nome Iam Becker, alterego de um amigo cronista que, diga-se de passagem, foi o responsável por eu ter começado a escrever), tão (in)verídico quanto este que vos fala, em uma agência de viagens, finalizando a compra de passagens para nossa primeira folga, quando tudo aconteceu.

Enquanto aguardávamos a internet funcionar (coisa bastante comum por aqui), começamos a falar de viagens e, de repente, a atendente perguntou se não achávamos o Brasil mais bonito que o Timor. Educadamente e evitando a possibilidade de uma querela diplomática, dissemos, quase que em uníssono, que os dois países eram muito diferentes para serem comparados, embora, tenho a certeza de que ambos concordávamos, mentalmente, com aquela afirmação.

A atendente, então, falou que admirava muito o Brasil, em especial o Rio de Janeiro com seu Cristo Redentor (do qual eles tem uma cópia em formato reduzido por aqui, chamada “Cristo Rei”). Disse que gostava tanto do estado fluminense que tinha escolhido, como nome para um sobrinho dela: “Rio de Janeiro de Branco”. Como assim? Rio de Janeiro? Pois é, o jovem timorense foi batizado como xará da “Cidade Maravilhosa”.

Na hora, não me contive e comecei a devanear sobre algumas outras possibilidades, por exemplo: se ela, por acaso conhecesse o Paraná, será que daria ao sobrinho o nome de “João da Ponta Grossa”? Ou, descendo um pouquinho mais, até o Rio Grande do Sul, teríamos “Maria Passo Fundo Branco”? E, indo além, agora subindo no mapa, no Pará, poderia ter surgido a “Paula do Curralinho”?

Lembrei-me ainda, de uma reportagem que havia lido sobre nomes “diferentes” e nela estava o caso de um cidadão do Rio Grande do Norte que, maravilhado pela ocupação norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial, registrou duas de suas filhas com os nomes: “Madeinusa” (Made in USA) e “Usnavy” (US Navy). Isso é, ou não é, para causar trauma numa criança? Nos tempos de hoje, em que o entendimento da língua inglesa se inicia na mais tenra idade, isso seria um prato cheio para gozações escolares.

Atire a primeira pedra quem nunca teve um conhecido com alguma espécie de nome marcante. Lembro de alguns como: “Otoganízio”, “Pedde John”, “Jhullyahnna” (esse foi de muita criatividade), “Maurenice”, “Rivadávia”, “Esoj” (será que não era pra ser José, só que escreveram ao contrário?) e muitos outros…

Quem por ventura teve seu nome citado aqui, não leve a mal. Pense que este texto é uma obra de pura ficção, ou olhe pelo seguinte prisma: você acaba de ficar famoso. Aos que acham que se encaixariam perfeitamente, mas não foram mencionados, minhas desculpas, quem sabe numa próxima vez.

Até eu tenho uma história interessante sobre como foi escolhido o meu nome. Só não vou contar aqui por dois motivos: primeiro, para que o texto não fique muito longo e enfadonho e segundo, para não revelar a minha identidade secreta. Quem quiser, que tente descobrir.

Do Timor, com carinho

Gus,

Dili, 17/06/09

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16 Comentários

Arquivado em Crônicas do GUS

16 Respostas para “Um Dois Três de Oliveira Quatro

  1. Dalva Regina

    Nossa!Rsrsrs. Adorei essa! Você tem uma mente muito além de brilhante,
    criativa,genial. Maria do Passo Fundo…, João… rsrsrs, por favor Paula do Pará… Tinha que ser você e o seu alterego juntos para variar.rsrsrs… Filha Juliana? Eu tenho uma só que simplesmente Juliana e nada mais. O Becker sabe. Mas e o seu nome? Como foi escolhido? Conta essa história!

    • Augusto Vilaça

      E conheço muitos outros que, após ter finalizado o texto, me dei conta que ficaram de fora, mas mereciam um lugarzinho aí. Afora os meus devaneios dos que poderiam ter sido, os outros são reais.
      Quanto ao meu nome, o fato foi durante a escolha, a história que meus pais me contaram é por demais constrangedora, eheheheh. Quem sabe, quando eu estiver famoso e aposentado, escrevendo a minha autobiografia, eu não revele ao mundo? Só espero que os poucos que conhecem a história não decidam me chantagear antes…
      Do Timor, com carinho.

  2. Dalva Regina

    Rsrsrs. É! Se é constrangedora o melhor mesmo é resguardar-se. Quando sair o seu livro de crônicas, podes colocar na sua biografia ou inserir na crônica. Só espero que seja em breve. Mas se demorar muito ainda para aposentar-se, o jeito é colocar na crônica sem identificar o cidadão a quem concerne a origem do nome. Quem não sabe da história dificilmente vai identificar. Concordas? Até mais! Do Maranhão com carinho Dalva Regina

    • Augusto Vilaça

      Quem sabe? Vou apenas aguçar a sua curiosidade, meu nome completo é: Augusto Aurélio Vilaça dos Santos, a partir daí você faz suas conjecturas.
      Do Timor, com carinho.

  3. Dalva Regina Alves Teixeira

    Ainda não caiu a ficha. Vou pou analisar com uma amiga.
    Do Maranhão com carinho,

    Dalva Regina

  4. Dalva Regina

    A ficha começou a cair na hora do almôço, mas qual é a tua cidade em Pernambuco? Até mais.

    • Augusto Vilaça

      Sou natural do Recife. Mas se a ideia é descobrir o que há de pitoresco no meu nome, tá friiiiia…

      Obrigado pela visita.

      Do Timor, com carinho.

      • Dalva Regina Alves Teixeira

        Vixe! Estou fria? Que pena já fiz vários comentários com amigos e não deu em nada por enquanto.Ah! Estava indo para fazenda há algunas dias atrás e, casualmente havia uma bitrem de Ponta Grossa em nossa frente rs rs rs rs r s… Todos começaram a rir porque o Motorista tem o nome de João!…

        • Augusto Vilaça

          Vou fazer uma promessa/aposta com você, mobiliza o povo para mandar meu nome como entrevistado do Jô. Se eu for eu conto lá a história e digo que foi especialmente pra você, ehehehehehe. O que achas?

          Do Timor, com carinho.

  5. Dalva Regina Alves Teixeira

    Ah! ah! Rsrs Quem sabe!? Já tinha pensado na idéia e até comentei com minha mãe e amigos. Gostei da idéia vou começar os meus contatos. Aliás vou continuar os que iniciei anteriormente. Até mais.

    Do Brasil com carinho, Dalva Regina

  6. Dalva Regina Alves Teixeira

    É!? gostei da aposta. Vamos ver no que dá. Até mais

    Dalva Regina

  7. Dalva Regina Alves Teixeira

    Relendo o texto, lembrei-me da satisfação que tenho de ter uma linda história referente ao meu nome. Estou ocupada agora, mais tarde te conto ok?

    Até mais,

    Dalva Regina

    • Augusto Vilaça

      Estou aguardando!

      Do Timor, com carinho.

      • Dalva Regina

        Primeiramente desculpe-me a demora. A princípio meu nome foi sugerido por uma amiga e comadre da minha mãe que é professora, hoje com 92 anos, aleatóriamente sugeriu meu nome e naturalmente minha mãe aceitou. Em abril deste ano, fui visitá-la e ela me confirmou que não havia se detido ao significado do nome mas que por intuição é o que é. Nome de origem latina D’alva que significa alvorada, alvorecer, amanhecer e Regina que vem de Rex do latim rei, rainha aí o significado de Dalva Regina Rainha do Alvorecer. Passei alguns anos me debatendo com o meu nome do qual não gostava de forma alguma. Até que um cidadão possuidor de 6 cursos superiores além de tudo um autodidata ficou fascinado pelo meu nome devido os seus estudos me imbuiu da alegria de ter o nome que tenho. Intuitivamente meu nome coincidiu com o dia do meu nascimento no Dia dos Reis Magos. Não sei se supri a tua curiosidade, mas é uma história que gosto muito devido a intuição das pessoas. Até mais,

        Do Brasil com carinho,

        Dalva Regina

  8. Janaina

    E aí, primo, blz???
    Sabe que é a primeira vez que leio suas crônicas e só tenho a parabenizá-lo e acima de tudo dizer que me orgulho da minha família!!!! Rsrsrs…
    Brincadeiras a parte, em especial venho comentar esta, pois, caso não se lembre, sua tia Salime (mamãe), tendo uma carreira bastante interessante – Papiloscopista Policial – trabalhou durante 20 anos no I.I.R.G.D., ou seja, anos atrás, o primeiro instituto que emitia R.G.s em São Paulo. Portanto, imagine só quantos nomes engraçadíssimos ela já teve o prazer de ver, não obstante, fez um caderno com tais nomes, que, para nossa infelicidade, perdeu-se em algum lugar do passado… Mas, lembro-me vagamente de alguns que chorei de rir ao ler: “Peidolfa” ; “Roncardina” ; “Natal Bedendo Meidas” (este lembrei do nome completo…) ; (um oriental que vira um cacófago muito bom…) “Hatso Noku Doi” e muitos outros que eram fantásticos!
    De qq forma é incrível a criatividade de alguns pais!
    Bjk
    P.S. Agora fiquei curiosa por saber qual foi a idéia de Geri e Cacá ao batizarem meu adorável priminho… rsrsrs…

    • Augusto Vilaça

      Prima,

      Em primeiro lugar, obrigado pela visita ao Blog. Em segundo, vou dar um desconto nos elogios, ehehehe, de família não conta…

      Comecei a escrever como uma maneira saudável de ocupar o pouco tempo livre por aqui, escrevia para mim mesmo, até que me deram a ideia de criar um blog, deu nisso.

      São muitas histórias de nomes engraçados ou, no meu caso, histórias engraçadas de nomes. Mas não se preocupe, na próxima vez que nos encontrarmos, depois que eu tomar algumas, juro que te conto, tá certo? Só não vale perguntar aos tios…

      Xero grande, do Timor.

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